Teorias Científicas em Tese…

Teorias Científicas em Tese…

 

…paradigmas em conflito!

 

Enquanto a ciência continuava seguindo os preceitos cartesianos, elaborando e propagando o modelo mecanicista, surgiram novas descobertas e formas de pensamento que revelariam a complexidade e a sutileza da estrutura mecânica do mundo newtoniano, criando espaço para as revoluções científicas que ocorreram no século XX.

Ainda no século XIX, destacaram-se os físicos Michael Faraday (1791-1867) e James Clerck Maxwell (1831-1879) que ultrapassariam a física newtoniana, com a descoberta dos fenômenos elétricos e magnéticos, e a estruturação da Teoria da Eletrodinâmica, levando ao conceito de campo de força (e não apenas de força), à descoberta da luz e sua propagação, através de ondas. Todavia, a mecânica newtoniana persistia como base de toda a física e até mesmo Maxwell, tentando explicar o fenômeno da existência do éter e das ondas eletromagnéticas desse éter, como elásticas, usou suas referências mecânicas, mesmo cogitando que a base de sua teoria eram os campos e não os modelos mecânicos.

Uma nova perspectiva substituiria o mecanicismo newtoniano.  São evidências que se baseiam nas pesquisas minuciosas da geologia, mais precisamente da paleontologia. O estudo de fósseis veio demonstrar o estado atual da Terra, como resultante de um processo contínuo de desenvolvimento sob a ação das forças naturais, durante eras geológicas. Surge no cenário científico a ideia de evolução, mudança, crescimento e desenvolvimento. O princípio evolucionista foi evidenciado também em outras esferas: Immanuel Kant e Pierre Laplace, com a Teoria do Sistema Solar; Hegel e Engels, na filosofia política, e outros, a exemplo de poetas e filósofos preocupados com o Devir, influenciando o pensamento científico nos séculos XIX e XX predominantemente.

Configurava-se a supremacia do princípio evolucionista sobre o paradigma cartesiano-mecanicista, em termos de visão de mundo. Uma primeira Teoria da Evolução foi proposta por Jean-Baptiste Lamarck, apresentando coerência ao afirmar que os seres vivos teriam se originado de processo evolutivo em oposição à doutrina judaico-cristã que supunha uma grande cadeia do ser sob a interveniência de um Deus criador.

Posteriormente, Charles Darwin apresentaria, à comunidade científica, elementos comprobatórios da evolução biológica, assim como expõe em Origem das Espécies, os conceitos de variação aleatória e seleção natural que fundamentariam o pensamento evolucionista moderno. Abandonando a concepção cartesiana, os cientistas adotaram o modelo evolucionista do Universo em que, estruturas complexas surgiam a partir de estruturas simples. Contudo, se nas ciências biológicas o conceito evolucionista sinalizava com ordem e complexidade crescentes. Na ciência física, o movimento seguiria para uma desordem, num contexto em que os líquidos e os gases são considerados como complicados sistemas mecânicos. Surge a Ciência da Complexidade, cuja primeira grande realização consiste na descoberta da Lei da Conservação da Energia.

A Primeira Lei da Termodinâmica – demonstrando que a energia total envolvida num processo é sempre conservada – demonstra também a dissipação da energia, afirmando que enquanto a energia total permanece constante em processo, a energia útil tende a diminuir. Novos conceitos vieram à tona, sobretudo na ampliação dessas leis, tendo em comum o princípio de que os processos seguem da ordem para a desordem.Sadi Carnot formularia então a Segunda Lei da Termodinâmica. Qualquer sistema físico isolado avançará espontaneamente em direção a uma desordem, sempre crescente. Rudolf Clausius, com o termo Entropia, refere-se à medida da evolução de um sistema físico, em termos de ordem e desordem.

Percebendo que as novas alternativas apresentadas pela Segunda Lei da Termodinâmica não seriam explicadas pela mecânica newtoniana, Ludwig Boltzmann introduz o conceito de Probabilidade. Com a Teoria das Probabilidades torna-se possível explicar, por leis estatísticas, o comportamento de sistemas complexos.A física clássica procura interpretar o percurso do universo como em direção a uma condição de máxima entropia, com o declínio, cada vez mais crescente dos processos espontâneos de troca de entropia, até um estado máximo declínio para finalmente cessarem, o que equivaleria a uma morte térmica. Desse princípio percebe-se a contradição com o princípio evolucionista da ciência biológica em que o universo evolui da desordem para a ordem, pera estados de complexidade sempre crescentes, evidenciando-se, então mais uma limitação de teoria newtoniana, pois a concepção mecanicista do universo não teria como explicar a evolução da vida de uma forma tão simplista. (CAPRA. 1998)

A Teoria da Relatividade Especial e a Teoria Quântica abalaram as concepções newtonianas e cartesianas de visão de mundo. Com essas teorias, inclusive a Teoria dos Fenômenos Atômicos, publicada em 1905, Albert Einstein contribuiu para revolucionar o pensamento científico no século XX. A respeito de sua Teoria Restrita da Relatividade, esse renomado cientista declarou:

“Ao tratar do objeto particular da Teoria da Relatividade, faço questão de esclarecer que esta teoria não tem fundamento especulativo, mas que sua descoberta baseia-se inteiramente na vontade perseverante de adaptar, do melhor modo possível, a teoria física aos fatos observados (…) a rejeição a certas concepções sobre o espaço, o tempo e o movimento, concepções julgadas fundamentais até esse momento, não foi um ato arbitrário mas simplesmente um ato exigido pelos fatos observados…” (EINSTEIN. 1981:154-5)

Acreditando na harmonia inerente à natureza, Einstein busco, ao longo de sua trajetória científica, um fundamento unificador para a Física. Conseguiria, mais tarde, unificar e completar a estrutura da física clássica com a Teoria da Relatividade Geral. Vinte anos mais tarde, a Teoria Quântica Completa, outra teoria de repercussão, seria elaborada por uma equipe de físicos. No século XX, seguiria a investigação experimental dos átomos, inexplicáveis em termos de física clássica, conforme interpreta CAPRA (1998: 71)

Essa exploração do mundo atômico e subatômico colocou os cientistas em contato com uma estranha e inesperada realidade que pulverizou os alicerces de uma visão de mundo e os forçou a pensar de um modo inteiramente novo. No século XX, entretanto, os físicos os enfrentavam, pela primeira vez, um sério desafio a sua capacidade de entender o universo.”

A resposta da Natureza aos experimentos atômicos, apresentando paradoxos, levaram os cientistas a se conscientizarem de suas limitações para explicar, ou simplesmente descrever, os fenômenos atômicos: seus conceitos básicos, suas linguagens, as formas de pensar se revelaram inadequadas, enfim, sem que se conseguisse, também explicá-los em função de conceitos clássicos é que os cientistas penetraram no espírito da Teoria Quântica. (HEISENBERG. 1999)

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