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Seleta em Prosa e Verso – Crônicas do Cotidiano

Seleta em Prosa e Verso

Seleta em Prosa e Verso

NÃO CHORES

Ana Neri M. Falcão

 

Sorri, que rindo esquecerás talvez esta amargura

Que nas noites vazias te atormenta e te abraça

Tornando a tua noite muito mais escura

Tornando a tua vida tão triste e sem graça.

 

Não chores, que as tuas lágrimas não irão mudar

O rumo desta noite e a história da tua vida

E nem farão a tua grande dor cessar

Ao lembrar a alegria agora já perdida

 

Pensa sim, no grande amor que te consola

Que de Felicidade te enche o coração

Ao dares a alguém uma pequena esmola

Oferecendo a quem precisa a tua mão

 

E assim esquecerá a tua grande tristeza

Causada pela angustia e pela solidão

E verás com prazer talvez, tenha a certeza

De que no mundo não nasceste em vão.

 

 

NÃO CHORES” foi classificada em 1º. Lugar na Categoria POESIA – Versos Parnasianos, em
SELETA EM PROSA E VERS0: 1ª. Amostra da Literatura Economiária da Paraíba.
João Pessoa/ PB (1983)

 

 

 

AMA-ZONIA (AGONIA VIVA)

Evandro Augusto Ferreira Cordeiro

 

Amazônia

Explosão de Folhas

Flores-frutos-relva

Selva-sumo

Amazônia

Do rio-mar

Dos livros de Geografia

Selva intacta

Virgem e Nata?

Amazônia

Do saci-pererê

Do caipora

Da mãe-d´água

Do misticismo caboclo

Amazônia

Do javali?

Do Jari!

Da Cajarana?

Do Carajás!

Amazônia

Do índio

Do-endo

Sifílico

De botas

 

II

 

Ama

 Amazônia

Mato vasto

Devastação

Ação!

 

Ama

Amazônia

Zona Tona

Entonação

Ação!

 

Ama

Amazônia

Agonia Viva

Viva ação!

Zona-tona Ave da Amazônia,  cinzenta de grande porte

VIDA

(A calçada)

 

Manoel Airton Lima Vieira de Melo

(In. memoriam)

 

Cada pedra colocada

Neste chão em que pisamos

Teve há muito, ou pouco tempo,

O esforço muscular

Da mão que ali a deixou.

 

E essa mão teve o seu corpo

Sua alma, seu sentir

Seu querer, sonhar, sofrer

Seu precisar e não ter.

 

Ali está, está ali,

Naquela pedra do chão

A vida vã que se foi

De pai, mãe, mulher, irmão.

 

 

 

 

 

Os Meninos da Favela

Nelson Santiago Filho

 

Vi os meninos da favela, sujos, magros e o olhar no tempo.

Cercaram-me como um intruso, estranharam uma pessoa de fora do seu mundo miserável, presente junto àquelas casas pequeninas de chão batido.

Um deles adiantou-se pedindo para acompanha-lo à sua morada. Atravessamos as ruelas estreitas, completas de olhares curiosos. Viam-me como uma figura distante, vestido e que parecia não sentir fome. À frente o menino ensinava-me como encontrar o seu casebre. Chegamos à casa, uma pobreza extrema, os irmãos pequenos fitaram-me com fisionomia sombria, a pobre mulher que cuidava dos quatro filhos que sob, de imediato me fez pensar em uma mãe, infeliz e envelhecida precocemente, mas com algum brilho nos olhos enrugados.

Viviam do nada, tudo vazio naquele casebre exceto a presença desamparada dos meninos e da magra mulher. O sofrimento intenso daqueles seres preenchiam o tempo, invadiam a minha consciência como uma alerta de que havia pessoas vivendo em péssimas condições.

O menino convidou-me a sentar numa cadeira improvisada, parecida com um velho engradado de cerveja. Observei o ambiente interior, um só espaço, ali dormiam, faziam suas necessidades, choravam, riam e até sonhavam.

Nas paredes esburacadas daquilo que chamavam casa, havia desenhos em papel comum e à lápis. Os traços ainda inseguros das paisagens criadas mostravam ser do menino que me levara lá. Eram pequenos quadros que pareciam querer fugi daquele lugar.

Que fonte de inspiração buscara para criai coisas tão expressivas? Seria a miséria no seu ponto mais contundente a visualização do outro lado da existência humana? Para criar aqueles desenhos o menino, certamente, atingira o nível crucial de uma vida desprovida de qualquer princípio de existência digna.

A minha presença desconfiados estranha atraiu os meninos da vizinhança, aproximaram-se. Crianças daquele mundo, quantos não teriam, se estimulados, talento para as mais diversas atividades? No entanto, permaneciam esquecidos, passando o tempo a mergulhar no rio poluído da favela, a crescer timidamente ou quase nada, uns de idade mais avançada pareciam anões, umas pobres figuras humanas.

O menino dos quadros adiantou-se fazendo sinal para os outros garotos. Em rápidos movimentos se reuniram e começaram a cantar, cantigas de crianças batendo palmas, pessoas de sentimento e não seres desprezíveis como a indicar que ali existiam pessoas de sentimento e não seres desprezíveis.

As janelas e as portas de outros casebres se abriram e surgiram outros moradores dali, velhos, moços, marcados indelevelmente pelo mesmo aspecto sofrido. O canto das crianças os atraiu, aproximaram-se de forma silenciosa, sem o menor gesto como que paralisados pela força das vozes infantis.

Com o passar do tempo começaram a acompanhar o ritmo dos garotes, batendo palmas com as mãos calejadas, castigadas pelos trabalhos pesados que de vez em quando faziam, a troco de nada. As palmas iam se firmando à medida que os sorrisos falhos demonstravam maior espontaneidade, à medida que estranhavam menos a minha presença.

E os meninos cantavam, com vigor, como se estivessem a pressentir que as vozes precisavam invadir a cidade como um último aviso: Salvem os meninos da favela, eles estão invadindo as ruas da cidade sob os olhares indiferentes das pessoas que desconhecem os seus quadros e os seus cantos.

 

“OS MENINOS DA FAVELA” foi classificada em 3º. Lugar na Categoria CRÔNICA. Fonte: 1ª. AMOSTRA DA LITERATURA ECONOMIARIA DA PARAIBA.

1 comentário

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1 Comentário

  • Geraldo Magela N Freire
    26 de outubro de 2019, 11:24

    Linda e maravilhosa poesia. Parabéns a Ana Neri e a Vera pela publicação.

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