O Paradigma da Modernidade…

O Paradigma da Modernidade…

…as revoluções científicas e a emergência de novos paradigmas.

 

O tema Construção do Conhecimento, no panorama científico, com destaque para o paradigma da modernidade, as rupturas científicas e surgimento de novas descobertas e a ciência moderna conduzindo a novos paradigmas científicos.

 

  1. Nos séculos XVI e XVII, a visão de mundo refletia os valores básicos das culturas predominantes: a ciência seguia os ditames dos sábios e das Instituições, Aristóteles, a Igreja. Tomás de Aquino – Suma Teológica – consolidou, no século XVIII, a estrutura conceitual vigente na Idade Média, ao combinar a concepção aristotélica de natureza com a teologia e a ética cristãs. A ciência medieval baseava-se na razão e na fé, buscando compreender o significado das coisas. Contemplava-se a observação dos fenômenos naturais, sobretudo as questões referentes a Deus, à alma e à ética.

 

O pensamento moderno apresenta características bem definidas, tais como o racionalismo, determinando somente a razão como capaz de conhecer, e o antropocentrismo, considerando o homem moderno como o centro das decisões; ocorre a laicização do saber, da moral e da política. O homem moderno descobre sua subjetividade; surge a preocupação com a consciência da consciência.

Em oposição ao saber contemplativo dos antigos, a supremacia da ciência e da técnica, possibilitando a transformação da realidade, em grandes proporções. Ainda que tenha se iniciado no século XVIII, o modelo de racionalidade da ciência moderna se instituiu nas ciências sociais emergentes e, por sua vez, num campo em que tradicionalmente o senso comum predominava. Conforme analisa Boaventura de Souza Santos (2002: 10-11), “(…) sendo um modelo global, a nova racionalidade científica é também um modelo totalitário, na medida em que nega o caráter racional a todas as formas de conhecimento que são pautadas por seus princípios epistemológicos e pelas suas regras metodológicas. Esta é uma característica fundamental, a que melhor simboliza a ruptura do novo paradigma científico que o precedeu.”

Deve-se s Francis Bacon (1569-1626) uma teoria de procedimento indutivo, sendo o primeiro a formulá-la com a realização de experimentos e generalizações. Mudava profundamente a natureza e o objetivo da investigação científica: o objetivo da ciência passaria a ser o conhecimento como instrumento de dominação da natureza, redundando a ciência e a tecnologia definitivamente antiecológicas, como se concebe atualmente.

Uma mudança radical ocorre nesse período: o cosmos, para a civilização ocidental passa a ser percebido sob outra perspectiva, com características da visão predominante na era moderna. Configurava-se outro paradigma, nos últimos trezentos anos, mas prestes a mudar: “A noção de um universo orgânico, vivo, espiritual foi substituída pela noção de mundo como se ele fosse uma máquina.” (CAPRA. 1982: 49)

René Descartes (1596-1650) e Isaac Newton (1642-1727) seriam os protagonistas de mudanças radicais na civilização ocidental. Descartes propões um novo sistema de pensamento, sendo sua perspectiva influenciada pelos novos direcionamentos da física e da astronomia. Como brilhante matemático que era, concebeu um método que deveria abranger uma completa ciência da natureza. Um método com base na certeza do conhecimento científico, com bem marcadas distinções da verdade e do erro em todos os segmentos do saber.

Todavia, mesmo tendo sido considerado o pai da filosofia moderna, o erro de Descartes consiste na certeza do conhecimento científico, base da filosofia cartesiana e na visão de mundo que inspirou. A Física do século XX destronou o conceito de verdade absoluta em ciência, mostrando para a comunidade científica, o quão limitados e aproximados são os conceitos e as teorias. Entretanto, este paradigma continua sendo bem difundido, sobretudo na nossa sociedade ocidental. Persiste o cientificismo de base cartesiana, tanto que o método científico continua como meio válido de compreensão do Universo, na comunidade científica e mesmo na sociedade civil, com os preceitos dessa filosofia exercendo forte influência nos comportamentos.

A Teoria NewtonianaPrincípios Matemáticos de Filosofia Natural – ou simplesmente Principia – configura a visão cartesiana da natureza à semelhança de um mecanismo preciso e exato apoiado nas leis matemáticas. A concepção newtoniana admite um deus criador e o universo posto em movimento, tal engenho mecânico movido pela intermediação de suas forças e pelas leis fundamentais. A concepção mecânica da Natureza advém deste determinismo em que se atribui, para tudo que existe, causa e efeito definidos. Como consequência, tudo era passível de descrição objetiva. Esse era o ideal de toda a ciência, sem que se mencionasse o observador humano, sujeito cognoscente.

Nos séculos XVIII e XIX, a mecânica newtoniana tudo explicava e objetivamente. Com base na Hipótese Atômica de Dalton, foi desenvolvida a unificação dos conceitos da Física e da Química, no século XX. Antes de ser superado, esse paradigma exerce sua influência nos diversos campos do saber da forma determinista que lhe é característica: às ciências da natureza, às ciências biológicas e às recentes ciências sociais, tendo a sociedade assimilado rapidamente a teoria newtoniana do universo e a racionalidade com que eram tratadas as questões humanas.

Os trabalhos do filósofo John Locke (1631-1704), publicados no final do século XVII, seguem na linha iluminista. Sua concepção atomista da sociedade humana traduz bem o modelo reducionista aplicado, não só à sociedade, mas aos comportamentos individuais, estendendo-se também aos problemas econômicos e políticos. Locke baseara sua análise nas obras do filósofo Thomas Hobbes (1588–1679) que defendeu a percepção sensorial como a base de todo o conhecimento, utilizando-se de conhecida metáfora, a Tabula Rasa: a mente do ser humano: A mente do ser humano, ao nascer apreende tudo o que lhe passa pelos sentidos. Ao aplicar sua Teoria da Natureza Humana aos fatos sociais, defendia que as leis da natureza é que governam a sociedade humana, à semelhança das leis que governam o universo físico, incluindo a liberdade, a igualdade e o direito à propriedade.

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