Gari, a face oculta da luta

Gari, a face oculta da luta

Desde minha infância, jamais vivenciei um isolamento social, assim, por imposição.

Entendo ser necessário o isolamento em pandemias por vírus letais.  No entanto, recebi vacinas desde criança, e continuei. Então, “embarco” nesse confinamento involuntário… e sem vacinas. Não entendo o atraso, em todo o Mundo. Não explica. Não justifica. Tudo bem? Se não fora a precariedade em equipamentos e serviços essenciais, “testados” como o treinamento de soldados para a primeira batalha, quando já se perdera a guerra.

O “Bom Pastor” sabe quando uma de suas ovelhas está vulnerável, desaparecida ou desprotegida. O som do balido enfraquece. Os sinos não badalam como antes. Como um bom pastor, o mandatário sabe que, sem uma gestão eficiente, previdente, a Nação será enfraquecida e as pessoas serão fragilizadas, por várias gerações e irreversivelmente. Como fortalecer uma Nação sem fortalecer, física e mentalmente, o seu povo?

Nesses tempos modernos, já não se ouve o balido de ovelhas e o badalo dos sinos em cada uma.  Os “pastores” não resgatam ovelhas doentes ou envelhecidas que se desgarraram pelo caminho. Em tempo de pandemias, entre médicos, enfermeiros e outros profissionais em saúde, ao fim de uma jornada de trabalho e plantões, “…quando despidos de todo o aparato e vestimenta especial, diante de si, restando apenas a solidão e a incerteza (…) então se veem invadidos por um desânimo sem igual…”

Quantas vezes acordo no meio da noite e, do aconchego em meu quarto, ouço o barulho dos veículos que fazem a coleta dos resíduos sem serventia, em domicílios urbanos, para transporte em seguida. São veículos que transportam o lixo coletado pelos garis da prefeitura: soa o barulho do lixo sendo jogado naquela caçamba enorme; ouço uma conversa rápida, quase um murmúrio entre eles: o motorista e dois ou três garis, sempre juntos. Vou até à janela e os observo:

…são “malabaristas”, rápidos, saltam para a calçada, recolhem o lixo e o lançam ao grande recipiente coletor… mais um salto, de volta àquela macabra “sala de trabalho” …

Agarram-se e seguem, entre os resíduos, agregados ao veículo, já em movimento. Agora são equilibristas em corda bamba, sem qualquer lona ou rede de proteção.

Da altura em minha janela, no 6º andar, eu os observo, algumas noites faço isso: suas roupas “camufladas”, em cores: verde-oliva e listas verde-limão, fluorescentes … percebo que usam botas como se bastassem proteger-lhes os pés… não consigo ver se usam luvas, óculos ou máscaras. Não vejo suas faces, mas apenas os bonés que usam sobre suas cabeças, quase cobrindo-lhes os olhos.

 

Aos mandatários de nossas cidades:

…desçam de seus tronos de empoderamento e corram à procura das ovelhas desgarradas. E não esqueçam de resgatar-lhes também os sonhos e o direito à saude…

 

Boa noite jovens Garis…

Guardiões de nossa saúde e de nosso bem-estar, por suas vidas e pelo direito de viver e sonhar.

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