Era uma vez… uma Normalista, um Pequeno Cientista e a Conquista do Espaço

Era uma vez… uma Normalista, um Pequeno Cientista e a Conquista do Espaço

Neste texto volto ao meu tempo de normalista, buscando a independência. “Visitei” a imaginação e a memória resolveu me revelar algumas passagens. Juntando todos os caquinhos aos fragmentos da realidade, consegui (re)compor uma fase bem significativa … vamos à história…

Cursava o último ano do curso pedagógico que conclui em 1967, sentindo-me insegura para assumir uma sala de aulas. Mesmo tendo sido treinada nos fundamentos da Pedagogia, sentia-me despreparada. Minha grande preocupação era assumir um processo tão determinante para a vida como o processo educativo, não admitindo erros, nem equívocos.

Mas, não demorou muito essa apreensão pois, logo a seguir, fui indicada por uma professora para participar de um curso de especialização em ensino normal, o primeiro curso nesta especialidade. Não por mera coincidência, os dois filhos dessa professora frequentavam a minha escolinha de apoio para deveres de casa, tipo reforço escolar, que funcionava na nossa casa, em Patos, no sertão da Paraíba.

Então segui no ano seguinte para o Centro de Formação e Treinamento de Professores, na pequena cidade de Sapé, situada no Agreste paraibano. Participar de um curso dessa natureza era tudo que uma “normalista recém formada” precisava e poderia desejar. O Curso alargou meus horizontes.

Naquelas circunstâncias, conheci excelentes professores, uma iniciativa inovadora e uma escolinha de aplicação – a Escola de Demonstração Stella da Cunha Santos (atualmente Escola Estadual de Ensino Fundamental Stella da Cunha Santos, com mais de mil alunos). Ingressei no curso no período entre fevereiro a junho de 1968. Deveria voltar, mas permaneci por mais de um ano, contratada no próprio centro para a Escola de Demonstração.

Uma das lições que jamais esquecerei aprendi na Escola de Demonstração, além de muitas outras lições de vida no Centro de Formação e Treinamento para Professores de Escolas Normais: importante foi constatar que para conseguir rendimento e produtividade de seus alunos, antes de qualquer atividade é necessário proporcionar-lhes “experiências antecipadas” ou “vivências anteriores”. Essa regrinha é imbatível para estimular também a imaginação e a criatividade.

 

Ao voltar, assumi como professora da Escola Normal Estadual de Patos, sentindo-me independente e com mais segurança para assumir a profissão, inclusive com experiência para contribuir com a formação das futuras normalistas.

Quanto ao Centro de Treinamento, no período em que lá permaneci, aulas e alojamento, folga nos finais de semana, quase sempre permanecendo no mesmo ambiente. Foram doze meses de treinamento teórico e prático.  Em plena guerra fria, um curso patrocinado pela SUDENE e financiado pela USAID (americana) e em plena corrida pela conquista do espaço. O trabalho mais interessante que desenvolvi na vida profissional, em termos de gratificação e enriquecimento pessoal. Produzimos uma pesquisa envolvendo conceitos como ciência, conhecimento científico, seguindo os passos do Método Científico. O Pequeno Cientista” foi apresentado para a garotada, na Escolinha de Demonstração. Para os professores e nós, alunos do centro, a pesquisa foi transformada em unidade curricular, envolvendo uma temática centralizadora, irradiante para as disciplinas curriculares e orientadas para a elaboração dos planos de aula.

Essa foi realmente uma descoberta, aliás a grande descoberta. Os alunos passaram a frequentar a escola em tempo integral, espontaneamente, não houve evasão e a frequência manteve-se em níveis regulares. Mas nem tudo ocorria a contento. A biblioteca oferecia somente bibliografia americana. Obviamente não fomos contemplados com uma biblioteca além da que estava montada, nem se falava em internet, os jornais quase não chegavam. Então procuramos alternativas, por exemplo convocar as pessoas da comunidade que diariamente liam os jornais internacionais o que significou mais uma técnica a ser desenvolvida com os alunos que foram treinados em entrevistas e na busca por novas fontes e recursos.

Ao fim de aproximadamente três meses, o encerramento: uma alegre e movimentada Culminância com apresentação de relatórios e exposição de modelitos, protótipos, redação e performances envolvendo professores e alunos do centro e da Escola de Demonstração, um encerramento em alto estilo com a presença de pais, mestres e convidados. Portanto, uma história de superação e uma hipótese comprovada. Acreditemos na criatividade do aluno, do educando, fornecendo-lhes os meios eles criam asas na imaginação.

Então, seguindo o mesmo propósito, ressaltamos o quanto Educação deve ser prioridade. Não se admite improviso nem equívocos em Educação. Em Educação não podemos errar. Se erramos não daremos conta do estrago. Não há concerto para erros, descaso ou omissão em Educação. Todo esforço em pesquisa metodológica, novos métodos, estímulo à criatividade, salas de aula confortáveis, aconchegantes, atrativas, tecnologicamente adaptadas e bem equipadas, nada é supérfluo. O Ensino à Distância pode ser válido como um recurso coadjuvante para pós-graduação, não para o ensino fundamental, não na Educação Básica. Acredito que o momento pede inovação em termos de materiais e métodos, a construção de creches e de novas escolas, aperfeiçoamento de professor, merenda escolar de primeira qualidade. Investir na educação significar formar homens e cidadãos.

Para sermos uma Grande e Soberana Nação é preciso investir em Educação, inclusive na Formação do Professor, com remuneração digna que lhe permita livre escolha para seguir em frente, em busca de aperfeiçoamento, enriquecimento, pois o processo educativo funciona quando constante, firme, com metas e seriedade, sem interrupção, com vultosos recursos, ousadia, convicção e corajosamente, como um Salto às Alturas ou A Conquista do Espaço.

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