A Mudança… A selva escolar

A Mudança… A selva escolar

Ainda muito novinha e assustada, estudante do fundamental 2, consegui aprovação para ingressar no curso para formação de normalistas. Não era bem “o que queria ser quando crescer” e no meio de tantas meninas ricas e…. atrevidas, poderosas me atemorizavam. Eu, bolsista, tímida por natureza, intimidável… elas, perturbadoras, se divertiam amedrontando-me, enfraquecendo-me. Mas como eu gostava de estudar e de ler, lia menos do que realmente desejava ler. Exultei quando a sala de aula passou a funcionar temporariamente na biblioteca do colégio. Lembro da leitura juvenil. Jamais esquecerei alguns dos professores: Dona Eudóxia lecionava francês. Sempre tive facilidade para línguas latinas. Tinha admiração pelos professores de Português e pela Língua Portuguesa. A professora Geralda teve influência marcante. Talentosa e determinada, amava seu mister e nos incentivava com seu entusiasmo, sobretudo primava pelo exercício e desempenho da escrita. Embora vagamente, permanece na memória a primeira redação, tema livre:

… era um cenário obscuro: no porão de um casarão, somente uma velha porta rangia roucamente quando pelas suas frestas penetrava uma vagarosa lufada de vento, assobiando,  e a luz mortiça vinha do restava do sol de uma tarde lá fora… Um raio de luz alumiava tal um cone, repleto de bolinhas dançantes, por todo aquele raio misterioso, descendo constante em diagonal… um tapete de poeira velha cobria o chão frio daquela sala  (…) nenhum murmúrio, ninguém… aos poucos, os olhos veem na escuridão: ferramentas velhas, muitas tralhas, brinquedos, sob um véu de pó trançado, pendente do teto, formando um tecido, uma cortina, quase uma teia sem aranhas.

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